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Havia anjo no Tanque de Betesda? Você acreditou?

Havia anjo no Tanque de Betesda? Você acreditou? Será que o que aprendemos não está baseado em um erro de interpretação Bíblica? Bom, vamos com muita responsabilidade tentar te ajudar a entender sobre essa passagem tão polêmica, porém, necessária para entendermos alguns segredos aqui.

HAVIA ANJO NO TANQUE DE BETESDA? VOCÊ ACREDITOU?

Encontramos este relato no Evangelho escrito por João capítulo 5, a partir do versículo 1 ao versículo 9, onde havia uma festa entre os Judeus e Jesus subiu a Jerusalém. Quando Jesus chega em Jerusalém, Jesus abre mão da festa e vai em direção ao famoso Tanque de Betesda.

E o assunto mais questionado sobre essa passagem Bíblica é se de fato havia anjo no Tanque de Betesda

Segundo João relata, havia uma multidão de enfermos que aguardava um anjo descer e agitar as águas do Tanque, quem entrava primeiro no Tanque, depois da agitação das águas, seria curado. 

O GRANDE SEGREDO Havia anjo no Tanque de Betesda? Você acreditou?

Há alguns indícios exegéticos de que esse trecho não seja original, mas um enxerto feito posteriormente ao texto escrito pelo apóstolo João, e que, portanto, não deveria ser tão enfatizado em nossas homilias sobre a cura deste paralítico. Explico:

Nas Bíblias mais atualizadas, sempre que um texto não faz parte dos escritos originais, estarão sempre entre colchetes, e isso acontece exatamente no versículo que a história do anjo é citada, no versículo 4.

Ou seja, ao consultar os originais, esse relato não existe, foi uma alteração textual, por isso, devemos ler com muita atenção o texto que vai deixar algo bem claro:

“Quem relatou que o anjo descia e agitava as águas no Tanque de Betesda, era a multidão de enfermos que ali ficava, eram eles que testificam sobre isso e não João.” 

QUE TANQUE ERA ESTE?

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O Tanque de Betesda (em Língua hebraica: בית חסדא) é um local referido na Bíblia, mencionado somente no Novo Testamento. Alguns manuscritos antigos utilizam a designação Betsata, “casa das azeitonas”, para se referirem a este reservatório de água. 

Nos tempos bíblicos, este local havia sido transformado num grande centro de peregrinação para pessoas que pretendiam obter cura através dos alegados poderes curativos das suas águas. Talvez essa condição possa explicar o porquê da designação Betesda, “casa de misericórdia”.

É possível que essa seja uma designação popular para o lugar que oficialmente se chamava Betzada, visto que esse último nome possui maior comprovação histórico-textual.

QUAL ERA A LOCALIDADE DO TANQUE? Havia anjo no Tanque de Betesda? Você acreditou?

Este reservatório ou tanque ficava perto da Porta das Ovelhas, na zona Norte de Jerusalém. Ao redor deste tanque existiam cinco alpendres ou colunatas onde muitos doentes, bem como cegos e coxos, se juntavam aguardando que as águas consideradas milagrosas se agitassem. 

Outro detalhe é que há relatos antigos que este tanque foi criado especificamente para atrair os enfermos, com a intenção de manter tais pessoas longe da cidade, principalmente em dias de festas, o boato ficava mais conhecido que o anjo desceria para agitar as águas e gerar cura aos enfermos. Faz sentido não é?

O local é atualmente identificado como um reservatório duplo, com uma área geral de cerca de 46 X 92 m, encontrado durante reparações e subsequentes escavações da Basílica de Santa Ana em 1.888, no bairro de Bezeta, em Jerusalém, próximo da Porta das Ovelhas e da Fortaleza Antônia.

Existia evidência de colunatas, e de um afresco desbotado, ou seja, uma pintura, que representava um anjo agitando as águas, embora a pintura talvez fosse uma adição posterior. O local parece ajustar-se à descrição bíblica.

O QUE DIZEM OS HISTORIADORES E ESTUDIOSOS?

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Em escavações nesta região, no ano de 1888, o professor e arqueólogo, Dr. Conrad Schick, achou um grande tanque com cinco pavilhões (degraus), que levavam a uma parte mais baixa, onde havia água, como se tivesse algo montado para gerar certo movimento naquelas águas.

Em uma de suas paredes havia a pintura de um anjo no ato de movimentar as águas, ou seja, algo preparado para gerar emoções e convencer aquelas pessoas, que aquele lugar era de fato um lugar que tinha uma ação milagrosa de um anjo.

O Dr. Wilson Paroschi, uma das maiores autoridades no mundo hoje sobre Crítica Textual, nos informa que de acordo com o registro textual, somente a partir do do quinto século (quando obviamente nenhum apóstolo mais estava vivo e editando seus escritos) é que a passagem que fala do anjo movimentando as águas do tanque começa a aparecer.

Isso na tradução grega, a língua em que o Novo Testamento foi originalmente escrito. Embora Tertuliano (160-220), um dos antigo pais da Igreja, já fizesse menção ao anjo agitando as águas, parecendo das sua aprovação a esta crença judaica popular.

QUANTO À INSERÇÃO DESTA TRADIÇÃO Havia anjo no Tanque de Betesda? Você acreditou?

Esta inserção desta tradição no texto bíblico, Paroshi sugere que poderia ter decorrido, por exemplo, de alguma nota marginal destinada a explicar o versículo 7(de João 5), atribuindo a agitação das águas à visita periódica de um anjo, e que não se deve descartar a hipótese de que a água do tanque tivesse propriedades terapêuticas e que curas de enfermidades reais ou imaginárias tenham de fato sido ali obtidas.

Mas, não há relato algum nem na Bíblia e nem em livros sequer, sobre tais curas! Nem mesmo o paralítico ao se explicar a Jesus sobre o que acontecia, ele não relata nenhuma cura, ou seja, ele não contemplou ninguém sendo curado, apenas relatou que alguém sempre entrava em sua frente.

A OPINIÃO DO DR. PAROSCHI

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Claro, a opinião do Dr. Paroschi apenas representa uma grande parte dos estudiosos cristãos, todavia, admitimos, ela não é unânime. Há também alguns exegetas defendendo a autenticidade desta passagem, como citados pelo erudito pentecostal Gordon Fee, em seu artigo On the Inauthenticity of John 5:3b-4. Para o próprio Fee, porém, assim como para Paroschi, há razões suficientes para “rejeitar a passagem como espúria”.

Aqueles que não têm muita afinidade com estudo das línguas originais da Bíblia, Crítica Textual ou manuscritologia, podem achar que “os teólogos estão querendo distorcer a Bíblia”. Não, não é isso. Pelo contrário: os comentaristas que rejeitam a autenticidade do trecho de João 5.3-4 querem apenas separar o que é original, escrito pela pena e tinta de João (e, portanto, sob inspiração divina), do que é adicional (portanto, não original, nem inspirado).

OS PROBLEMAS NESSE TRECHO Havia anjo no Tanque de Betesda? Você acreditou?

Se tomarmos o trecho de João 5.3-4 como autêntico e original do apóstolo João, então teremos que explicar algumas questões de ordem textual e teológica:

1- Por que esse trecho está ausente dos melhores e mais antigos manuscritos gregos?

2- Por que em muitos manuscritos gregos que contém o versículo 4, a leitura está assinalada como duvidosa, mediante emprego de alguns sinais gráficos que demonstram a provável não-originalidade joanina dessa passagem?

3- Como explicar a seletividade das curas e a disputa dos doentes? Não parece que admitida tal possibilidade, devemos também concordar com o egoísmo daquelas pessoas que buscavam a cura, querendo sempre serem as primeiras? Como diz o exegeta William Hendricksen, “Parece que a regra naquele tanque era: “Cada um por si”

Isso, definitivamente não expressa o caráter de Deus, o amor e a misericórdia que ele exige que tenhamos uns pelos outros.

4- Embora sejam espíritos ministradores ao nosso favor, é difícil encontrar respaldo neotestamentário para anjos promovendo cura de doentes, especialmente num período em que Cristo está presente pessoalmente e investindo seus discípulos de poder para curar os enfermos.

O PROBLEMA NÃO ESTÁ NO MOVIMENTO DAS ÁGUAS

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Ressalte-se que o que está em discussão não é se as águas daquele tanque eram ou não agitadas, afinal o versículo 7 do mesmo capítulo, traz a fala do paralítico, que queixava-se a Jesus de que não tinha ninguém que o colocasse no tanque “… quando a água é agitada…”. 

De fato, um movimento diferente nas águas devia ser notado, para que os doentes começassem a se lançar em busca da cura. Entretanto, muitas razões naturais podem ser sugeridas para esse movimento intermitente das águas, sem necessariamente admitir a presença de um anjo agitador.

Também não está em questão o milagre efetuado por Cristo ao curar o paralítico, pois cremos piamente nesse registro joanino, e que o mesmo ele pode fazer hoje pelos que estão enfermos. Como cristão pentecostal posso dizer que rejeitar a originalidade dos versículos 3b-4 não implica em descartar a originalidade do milagre registrado em João 5.

O GRANDE PROBLEMA

De forma prática: no mínimo, dada a incerteza da origem do trecho de João 5.3,4, não deveríamos, quando cantamos, ensinamos ou pregamos esse texto na igreja, dizer que “Deus vai enviar seu anjo para movimentar as águas” ou destacar a figura do anjo e de um suposto movimento sobrenatural das águas naquele tanque.

É melhor que foquemos na cura do paralítico através de Jesus Cristo e no poder do Espírito Santo. Aliás, é bom que se diga que Jesus não ajudou o paralítico a mergulhar no tanque para receber sua cura (o que poderia ajudar a validar aquela crença popular).

Antes deu-lhe a palavra de ordem para por-se de pé e carregar sua maca (v. 8), o que nos dá a certeza de que a cura procede não de anjos agitadores, mas de Cristo, que “levou sobre si as nossas enfermidades” (Is 53.4).

O QUE PODEMOS APRENDER COM ESSE ESCLARECIMENTO?Havia anjo no Tanque de Betesda? Você acreditou?

Nem tudo que dizem, de fato aconteceu, havia relatos de tal acontecimento, mas não temos provas coerentes, nem mesmo o paralítico testemunhou curas através do anjo movimentando as águas, ele apenas relata que alguém entrava na frente dele quando as águas eram agitadas.

E sabe o que isso o afetava? É que quando Jesus pergunta se ele queria a cura, ele imediatamente responde que não tinha ninguém que o colocasse no Tanque, porque a esperança daquele homem era o Tanque, o foco dele era aquele Tanque, o olhar dele era em direção ao Tanque.

Este é o poder das tradições, dos relatos sem provas, de contextos inventados, deixar muitas pessoas focadas naquilo que nunca vai resolver problemas, quantos doentes e enfermos temos focados no lugar errado, quando doentes espirituais temos a beira de tanques imaginários criados pela religião?

Nosso único foco deve ser Jesus Cristo, somente pra Ele devemos olhar, somente Dele devemos esperar tudo aquilo que precisamos, caso você esteja focado em algum tanque na tua vida, achando que é desse tanque que sairá teu sustento, tua providência, tuas respostas, pare de olhar pra esse Tanque, olhe pra Jesus!

Deus abençoe!

Pr Vagner Lisboa

 

REFERÊNCIAS

1 Wilson Paroschi. Origem e transmissão do texto do Novo Testamento, SBB, pp. 218-222

2 Gordon Fee. On the Inauthenticity of John 5:3b-4, in The Evangelical Quarterly 54.4 (Oct.-Dec. 1982): 207-218.

3 William Hendricksen. O Evangelho de João, Cultura Cristã, p. 255

4 F.F. Bruce. João: introdução e comentário, Vida, p.114

5 Wikipédia

 

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Sobre o Autor

Pr Vagner Lisboa
Pr Vagner Lisboa

Pastor Vagner Lisboa, professor de Teologia Bíblica e conteúdos de pregação, é casado com Patricia Lisboa, pai de Isabela Lisboa e Lucas Lisboa, mora atualmente em Portugal e é fundador do Instituto de Inteligência Bíblica em Portugal

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